quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Proposta de trabalho
Pode escolher mais de um trecho.
Pode escolher um companheiro para comentarem juntos.
Pode pesquisar outros textos ou/e imagens para incluir e ampliar o seu comentário.
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1 - "Talvez esteja aí a chave para entender a crise que vivemos: perdemos o sentido
do que fazemos, lutamos por salário e melhores condições de trabalho sem esclarecer a
sociedade sobre a finalidade de nossa profissão, sem justificar porque estamos lutando."
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2 - "A sociedade do conhecimento é uma sociedade de múltiplas oportunidades de aprendizagem. As conseqüências para a escola, para o professor e para a educação em geral são enormes: ensinar a pensar; saber comunicar-se; saber pesquisar; ter raciocínio lógico; fazer
sínteses e elaborações teóricas; saber organizar o seu próprio trabalho; ter disciplina para o trabalho; ser independente e autônomo; saber articular o conhecimento com a prática; ser aprendiz autônomo e a distância."
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3 - "O professor é muito mais um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito do sua própria formação. O aluno precisa construir e reconstruir conhecimento a partir do que faz. Para isso o professor também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o quefazer dos seus alunos.
Ele deixará de ser um “lecionador” para ser um organizador do conhecimento e da
aprendizagem."
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4 - "Ser professor hoje é viver intensamente o seu tempo com consciência e sensibilidade. Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem educadores."
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5 - "Em geral, a sua formação limita-se a aspectos técnico-pedagógicos e não ético-políticos, que seriam mais afinados com os motivos da sua escolha."
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6 - "A docência, como aprendizagem da relação, está ligada a um profissional especial, um profissional do sentido, numa era em que aprender é conviver com a incerteza."
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7 - "O professor hoje precisa ser um profissional capaz de criar conhecimento."
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8 - "A maioria afirma que a profissão docente deve mudar - sobretudo em função da complexidade da nova sociedade - mas não se diz como, nem porque e para onde devemos mudar."
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9 - "Hoje o domínio dos conteúdos de um saber específico (científico e pedagógico) é considerado tão importante quanto as atitudes (conteúdos atitudinais ou procedimentais)."
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10 - "Numa concepção emancipadora da educação, a profissão docente tem um componente ético essencial. Sua especificidade está no compromisso ético com a emancipação das pessoas. Não é uma profissão meramente técnica."
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11 - "Os sistemas de ensino investem na formação individual (individualista?) e competitiva do
professor, quando o mais importante é a formação para um projeto comum de trabalho,
a formação política do professor."
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12 - "O próprio professor precisa construir também o seu projeto político-pedagógico."
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13 - "O professor, pode ter um papel mais decisivo na construção de um novo paradigma civilizatório se entender de outra forma o seu papel na sociedade do conhecimento e educar para a humanidade. Ele pode ter um poder como nunca teve na sociedade. E como o poder nunca é doado, mas é conquistado (...)"
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14 - "A educação não é só ciência, mas é também arte. O ato de educar é complexo. O êxito do
ensino não depende tanto do conhecimento do professor, mas da sua capacidade de criar
espaços de aprendizagem, vale dizer, “fazer aprender” e de seu projeto de vida de
continuar aprendendo."
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15 - "Só é possível conhecer quando se deseja, quando se quer, quando nos envolvemos profundamente com o que aprendemos. No aprendizado, gostar é mais importante do que criar hábitos de estudo."
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16 - "A educação é necessária para a sobrevivência do ser humano. Para que ele não precise inventar tudo de novo, necessita apropriar-se da cultura, do que a humanidade já produziu. Educar é também aproximar o ser humano do que a humanidade produziu."
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17 - "O professor precisa saber que é difícil para o aluno perceber a relação entre o que ele está aprendendo e o legado da humanidade. O aluno que não perceber essa relação não verá sentido naquilo que está aprendendo e não aprenderá, resistirá à aprendizagem, será indiferente ao que o professor estiver ensinando. Ele só aprende quando quer aprender e só quer aprender quando vê na aprendizagem algum sentido. Ele não aprende porque é “burrinho”. Ao contrário, às vezes, a maior prova de inteligência encontra-se na recusa em aprender."
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18 - "Todo ser vivo aprende na interação com o seu contexto: aprendizagem é relação com o contexto. Quem dá significado ao que aprendemos é o contexto. Por isso, para o educador ensinar com qualidade, ele precisa dominar, além do texto, o com-texto, além de um conteúdo, o significado do conteúdo que é dado pelo contexto social, político, econômico... enfim, histórico do que ensina. Nesse sentido, todo educador é também um historiador."
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19 - "É o sujeito que aprende através da sua experiência. Não é um coletivo que aprende. Mas é no coletivo que se aprende."
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20 - "Só aprendemos quando colocamos emoção no que aprendemos. Por isso é necessário ensinar com alegria."
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21 - "Há muitos professores e professoras que se sentem infelizes na escola e principalmente
na sala de aula. Falta interesse, falta disciplina, faltam objetivos claros, enfim, falta
sentido para o que ensinam. O aluno também não vê sentido no que está aprendendo na
escola. E vem a pergunta desalentadora: “Para que estou estudando isso, professora?” -
“Para que estudar?”."
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22 - "O aluno quer saber, mas ele não quer aprender, não quer aprender o que lhe é ensinado e nem como lhe é ensinado. E o conflito, o desinteresse, a indisciplina, a violência nas escolas está crescendo. A escola ensina num paradigma e o aluno aprende num outro paradigma. O que fazer diante do paradoxo: o aluno quer saber, mas não quer aprender?"
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23 - "Em média, no mundo, uma criança passa 4 horas diárias em frente à televisão. No Brasil são 8 horas. Em média, no mundo, a criança passa 8 horas diárias na escola. No Brasil são 4 horas."
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24 - "Por que ser professor hoje? Qual é sentido de ser professor hoje? Para que estou ensinando?"
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
2008 à vista: muito cansaço, esperança, sonhos e medos...
Há algum tempo, conversando na coordenação com nossa querida colega Rosangela, diziamos que no final do ano a cabeça dá um salto e já começamos a imaginar o que e como fazer mudanças para o ano seguinte, fazer planos, repensar coisas, avaliar o que deu errado e o que deu certo. E estamos mesmo no momento de começar o namoro com o ano que vem e suas promessas ( sem ainda conseguir avaliar com clareza a nossa última relação, o ano de 2007).
Se é de futuro que se faz o mês de Dezembro, vamos a ele! O que eu quero ( por enquanto) pro ano que vem:
- incluir mais os alunos em minha aula, bolar meios de que eles se sintam cada vez mais construtores do que estão aprendendo.
- substituir a velha apostila por uma página de Internet.
- dar mais aulas no laboratório de informática e na sala de vídeo, além de pensar em decorações, utensílios e espaços criativos que possam ser facilmente montados e desmontados de acordo com o objetivo de cada aula.
- ouvir mais.
- ter mais paciência.
- conhecer mais meus alunos.
- repensar ( sempre) a forma de avaliar
- sorrir mais
- curtir mais
- fazer da aula uma experiência cada vez mais prazeirosa
- ser mais útil aos companheiros da área técnica que têm textos em inglês que precisam ser compreendidos
- estudar mais.
Gostaria de saber também o que meus colegas desejam e sobre isso estaremos conversando em breve.
Beijos 1000, Feliz Natal, Feliz Ano Novo, Feliz férias, Feliz Retorno!
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
O Jeito Matemático de viver
Que a Matemática é uma das ciências mais importantes, todos nós sabemos. Uma ciência universal. Ou Seja, desenvolvida por todos os povos, em cada canto do mundo, antes mesmo de acontecer um “encontro” entre culturas diferentes. A Matemática que conhecemos hoje tem uma grande contribuição da civilização grega, mas com certeza tem influência de outros povos. Podemos responsabilizar a Matemática por grandes avanços da humanidade. A Matemática contribuiu (e contribui) para o desenvolvimento tecnológico e também para o desenvolvimento de outras áreas do conhecimento. A essência da Matemática é generalizar e padronizar os fenômenos. Porém, além de tudo isto que foi dito (ou escrito), podemos ver, hoje em dia, a Matemática como um “modo” de vida. Essa é uma visão particular.
O estudo (ou a prática) de matemática nos traz ensinamentos muito importantes para a vida.
A prática de exercícios e a repetição são fatores importantes para nos dar mais confiança e autonomia para resolver, cada vez melhor, os problemas propostos. Problemas esses que podem ser matemáticos ou não. Esse ensinamento podemos levar para qualquer área da vida. O matemático quando não consegue resolver um determinado exercício, ele o tenta de outra forma. É muito importante olhar uma determinada situação por diversos ângulos. Não podemos nos “adestrar” a fazer as coisas somente de uma forma. A qualquer momento podemos nos deparar com uma situação diferente da que estamos acostumados a resolver.
Pode parecer bobo, mas a prática de matemática pode diminuir bastante os preconceitos existentes nas pessoas. Por exemplo, a matemática é uma ciência exata, mas podemos tomar caminhos diferentes para resolver determinados problemas e mesmo assim chegarmos na mesma resposta. É claro que esses tais caminhos devem estar dentro das regras matemáticas. Podemos dizer que o objetivo de todas as pessoas é ser feliz. E cada uma vai escolher para si uma maneira diferente de ser e viver. Mas no final todos querem ser felizes. Portanto nessa questão não pode existir o que é certo e o que é errado, pois o importante, no final, é ser feliz. A matemática já nos mostrou, por muitas vezes, que devemos tomar cuidado com as nossas intuições. Nem tudo é o que parece ser. O estudo de Lógica deixa claro que nem todas as afirmações são verdadeiras. É óbvio que esse cuidado com as afirmações não é uma coisa exclusiva da matemática. Esse é mais um ensinamento que devemos trazer para nossas vidas.
Além de uma ciência, a Matemática pode ser vista também como um modelo de vida. Isso mesmo. Um modo de vida matemático onde as pessoas vão criar o hábito de pensar, vão tentar solucionar os seus problemas, buscar novos caminhos, tomar muito cuidado com as afirmações e intuições feitas. A matemática teve importante papel no desenvolvimento tecnológico e pode ter também um papel de destaque na construção de um novo ser humano. Um ser humano melhor. O Homem também tem que evoluir. Para podermos construir sociedades melhores. Uma sociedade com base nos ensinamentos matemáticos.
Wellington Serra
terça-feira, 21 de agosto de 2007
CAOS
A situação nos aeroportos brasileiros não anda nada boa. Não estou escrevendo isso só porque também fui vítima da desordem, mas sim pra relatar a falta de bom senso e o descaso no planejamento estratégico de algumas companhias aéreas e na atitude de alguns de seus funcionários, o que nos dificulta ainda mais dentro de todo esse tumulto.
Com viagem marcada para a cidade de Contagem –MG no dia 23/07/2007, cheguei ao aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, às 17:00 h. O meu vôo estava marcado para às 18:00h. Com o aeroporto completamente lotado, muitas pessoas desesperadas com vôos atrasados ou cancelados, outras já tinham perdidos os seus vôos, e haviam também delegações do Pan-americano com vôos desmarcados, repórteres procurando pessoas que estavam enlouquecidas com a situação e prontas para desabafar e colocar na mídia toda a sua raiva. Entrevistaram até uma garotinha que estava chorando porque perdeu o seu vôo. Uma loucura. Por falar na imprensa... ela está muito interessada nesse caso. Quero lembrar que também vivemos um caos nas ruas, rodovias e estradas brasileiras e eu nunca vi a imprensa tão presente assim. Sabemos que não temos nenhum investimento no transporte ferroviário, que é mais barato, mais rápido e menos poluente. Sabemos também que existem inúmeros acidentes nas ruas das grandes cidades e nas estradas. E eu nunca vi a imprensa dar tanta importância assim. Mas isso é uma coisa pra ser discutida em um outro momento.
Voltemos ao caos aéreo... Fui procurar, no meio de todas aquelas pessoas, onde eu poderia pegar as minhas passagens. A empresa responsável pelo meu vôo era a “GOL LINHAS AÉREAS”. Enfrentei uma fila enorme só para pegar a passagem. Assim que a obtive, perguntei ao rapaz do guichê se ele tinha alguma previsão do horário de chegada do meu vôo. Ele me disse que o vôo estava atrasado e que a previsão de chegada do avião ao aeroporto do Rio de Janeiro era às 20:30.
Para não piorar a situação, me mantive calmo e fui procurar um lugar para sentar e descansar, ler um livro, acessar a Internet, ou seja, fazer a hora passar. Aproveito para dizer que eu não estava sozinho nesse episódio. Minha companheira de trabalho, Sabine, também passou por tudo isso e graças à ela eu puder ter momentos agradáveis no meio de tanta confusão. Quando foi por volta das 20:00h, nós tentamos passar para a sala de embarque e não nos deixaram passar. Nos disseram que nenhum passageiro da “Gol” estava podendo embarcar. Como a situação parecia que não ia melhorar nem tão cedo, fomos comer alguma coisa e conversar mais um pouco, ou seja, novamente fomos fazer a hora passar. Voltamos ao local de embarque às 20:00h e, felizmente, dessa vez nos deixaram passar. Assim que passamos pelos detectores de metal, o auto falante estava anunciando que era a última chamada para o nosso vôo. Corremos em direção ao portão R1 e novamente era anunciada a última chamada do vôo 1746. Chegamos no portão às 20:30h e ele estava fechado. Do outro lado do portão de vidro a funcionária da “Gol”, Marjory, disse que o avião já tinha saído e não tinha mais como embarcar naquele vôo. Eu pensei comigo mesmo como a Gol é pontual. O vôo estava marcado para 20:30h e não atrasou nenhum segundo. O curioso foi que, ao mesmo tempo que a funcionária nos dizia que o vôo já tinha partido, anunciavam novamente no auto falante do aeroporto que era a última chamada para o embarque do mesmo vôo que havia partido. Diante desta contradição ela nos explicou que o vôo já tinha partido com 80 pessoas, pois a companhia aérea preencheu o avião com passageiros que embarcariam no vôo seguinte para desafogar o tráfego aéreo. Por isso o avião não podia atrasar nenhum minuto mais.
Muito pior foi a situação do senhor Luís que passou pelo mesmo problema que a gente, mas com uma pequena diferença: as suas malas estavam no avião que havia partido sem ele. Conclusão: o vôo atrasou duas horas e meia e nós perdemos o vôo porque o avião não podia esperar nem dez minutos mais para avisar os passageiros que estavam faltando.
Ou seja, para a Gol, não importa se tem passageiro que vai se atrasar para o trabalho ou qualquer que seja o compromisso.
Depois dessa situação, procuramos uma solução para o nosso problema. A funcionária Marjory nos disse que poderíamos embarcar no próximo vôo, aquele que teve alguns de seus passageiros com viagem antecipada. A previsão de chegada desse vôo era para as 22:00h. Sabine e eu esperamos até as 03:00h do dia seguinte para saber que o vôo 1732, que seria o que iríamos embarcar, foi cancelado. Saímos da sala de embarque novamente e fomos procurar uma outra alternativa, pois nós tínhamos que estar trabalhando em Contagem / MG às 8:00h. Depois de enfrentar muito tumulto, novamente conseguimos uma passagem para às 8:00h. Exatamente o mesmo horário que estaríamos começando o nosso trabalho. Por várias vezes passou pela minha cabeça que se a empresa tivesse esperado, ou dado um jeito de avisar os passageiros que o avião já estava em solo, eu não teria toda essa esquentação de cabeça. Quando o relógio estava marcando 7:00h, Sabine e eu entramos novamente na sala de embarque, com a esperança de embarcarmos no vôo anterior ao nosso, ou seja, queríamos fazer a mesma coisa que fizeram conosco. Mas assim que sentamos em frente ao portão de embarque para esperar o vôo, foi anunciado que o vôo 1880 com destino a Belo Horizonte estava com três horas de atraso. Mesmo se conseguíssemos embarcar num vôo anterior ao nosso, chegaríamos ao nosso destino com mais ou menos umas cinco horas de atraso. Sem saber o que mais iria acontecer, e muito cansados, nós resolvemos entrar em contato com outros companheiros de trabalho e tentar marcar o nosso compromisso em Contagem em um outro momento. Mas fica uma pergunta, quem nos garante que na próxima que tentarmos viajar(a trabalho,ou não) não passaremos pela mesma situação?
Wellington Serra
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Minha experiência na net...
Bem, tem sido uma aventura cheia de surpresas. A primeira foi descobrir a net como fonte de consumo compulsivo de informação. Vejam bem, não digo que isso seja bom, conto somente como aconteceu comigo...Em seguida, virei professora de inclusão digital e tive de rever todos os meus primeiros passos no computador e relembrar das inseguranças sentidas, sentia eu, há séculos atrás. Depois virei formadora de professores nessa área de inclusão e descobri em uma aula com um colega que a Internet tinha uma base física. Eu não tinha noção de que entrar na Internet era ter acesso a arquivinhos em outros computadores e que cada coisa que eu fazia era um arquivinho em algum computador. Quando eu descobri ( no mesmo dia, por sorte ou azar) que os chamados servidores de Internet nada mais eram do que computadores ligados o tempo inteiro abrigando e facilitando a transferência de vários arquivinhos...entrei em choque ! Sim...
Eu sei. Patético.
Eu imaginava a Internet como uma coisa assim mítica, sei lá, uma nuvem de informação...O virtual era um mundo de bits e bites diferente do meu. Descobrir que tudo isso estava em algum lugar, alguma base sólida, física, acabou comigo. Para mim, ainda parece estranho dizer essas coisas...quase como se eu ainda não acreditasse...tenho até medo de ter entendido errado.
Porque decidi comentar isso tudo em resposta a minha amiga Denise ?????
Porque eu sou da geração do mito. E sou uma educadora. Vejo que meus alunos não encaram as coisas da mesma maneira. Eles não são da geração do mito. São uma geração mais humana ( sim, mais humana!) e logo me explico:
Quando eu estudava o professor era um mito. Eu sentia um orgulho mortal quando um de meus professores me contava algo sobre sua vida pessoal ou quando eu o surpreendia em uma conversa íntima ( para mim era quase como ter acesso a fofocas de uma celebridade...notem que eu disse quase, porque as celebridades do cinema ainda estavam em primeiro lugar ! rs).
Quando eu estudava, o conteúdo era um mito. Algo para iniciados, adquirido a partir de muito esforço e repetição. A arte de saber o que o professor-mito desejava de mim era sacrossanta e a ela dediquei muito de meus estudos ( não digo tudo, porque talvez rs pegasse mal para quem lê e eu quero agradar ! :)
A informação era um mito, bem como a comunicação. Custosas e provenientes de muita dedicação e negociação ( minhas contas de telefone ao longo da adolescência que o digam). Entrar em contato era um mito, um evento.
Hoje, meus alunos não me vêem como um mito, mas como um ser humano. Suas celebridades estão próximas ( já repararam como as referências deles são cada vez mais pessoas de suas comunidades, para bem ou para mal?). Comunicar-se chega a ser instantâneo, como diz o nome do MSN, e toda a preparação de "será-que-eu-ligo-ou-não-ligo-visito-ou-não-visito-porque-não-quero-incomodar" se reduz a responder ou não uma telinha que pisca. Devo confessar que eu ainda me sinto mal deixando piscar a tal telinha...mas meus alunos não : comunicar-se não é mais um mito! Na sala de aula eu sou quase uma telinha que pisca: eles me dizem o que querem dizer, como querem dizer, na hora em que querem dizer, sem nenhum "RESPEITO" falsamente articulado. É um novo conceito de etiqueta. Se eu estou parada em frente a eles, estou online e eles podem me requisitar ( inclusive simultâneamente) a qualquer momento...A aula é um hipertexto ambulante...e eu, bem, eu...hoje dei aula e pedi um pouco de silêncio ( e fui acatada) porque não estava conseguindo pensar com tudo aquilo acontecendo...
O que eu faço com meus mitos há tanto tempo acarinhados? Os mitos que fazem parte de quem eu sou?
Bem...
Minha primeira estratégia foi "ir a luta". Violentá-los ou violentar-me ( nada físico, eu juro!)...Afinal de contas, educadores ou não, essa é uma sociedade violenta e as vezes a gente simplesmente não sabe agir de outra maneira...Não somos perfeitos, não é ? Ao violentá-los tentava impor uma vida mítica, um respeito distante, uma comunicação exageradamente custosa. Ao violentar-me tentava embarcar na onda hipertextual e muitas vezes colocando meus alunos como aqueles que estavam certos...
Como mediar isso, já que alguns nos descrevem como mediadores???
Bem, eu acho que nessa coisa de incluir a tecnologia, de termos computadores em sala, de pensarmos na formação do professor, vou ter que aprender a ouvir. Ouvir essas crianças falarem sobre meus mitos e darem pontos de vista aos quais não estou acostumada. Ouvir sobre seus valores e acreditar ( até se prove o contrário) que meus alunos dizem a verdade ( com muito mais facilidade do que eu, às vezes...)
As atividades para OLPC, os formatos, até mesmo a luta política pela implementação em cada escola...porque não incluir os alunos nisso? Eles podem criar coisas muito mais interessantes do que eu - ser mítico tatibitante - nessa onda hightech de arquivinhos compartilhados...
Por que não perguntar a eles como fazer ? Convidá-los para nossos encontros? Pedir ajuda na requisição dos computadores? Sugerir que eles se mobilizem?
Veja bem, não estou dizendo que não há espaço para o mito. Eles certamente têm os deles...Talvez fosse bom perguntar quais são, pois esses serão os desafios de seus filhos.
Acredito que, para que toda essa nossa proposta de inclusão dar certo, é muito necessário que eu me reconcilie com essa minha visão mítica das coisas e compreenda que sou um passo em direção ao que veio depois ( se é que me explico). assim, não fingirei ser quem não sou e pedirei ajuda aqueles que têm na veia esse mundo virtual ( essa nova geração) e ensinarei o que posso:
" O que fazer quando você quer avançar e suas crenças te fazem empacar?" - porque isso é uma coisa que mesmo as novas gerações não sabem. Nem eu. Nem ninguém. Mas enfim...é um conhecimento a ser co-construído, não?
Espero não ter filosofado demais!BjsSabine
domingo, 24 de junho de 2007
Uma escola "diferente".
para inaugurar minha participação no nosso blog colocarei em debate o que nós pensamos sobre educação. Será que estamos fazendo o certo? O que é certo? Existirá um fazer correto? Pois bem também estou a procura destas respostas! Dêem uma olhada neste site de uma escolinha do interior de Portugual. Sei que vivemos em uma realidade diferente, mas será que uma forma de percepção não é possível para nós? Bom gostaria de discutir isso com vocês amigos... talvez possamos pensar uma escola mais agradável para nossos alunos.
http://www.eb1-ponte-n1.rcts.pt/html2/portug/bemvindo.htm
Nota: Não estou sugerindo que copiemos um modelo, mas sim repensarmos o nosso!
Um abraço!
quinta-feira, 14 de junho de 2007
O que é que a gente tem a ver com isso?
Média do Enem deste ano é a pior desde 2002
Os quase três milhões de estudantes que fizeram a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) este ano tiveram, na parte objetiva, média de 36,90, a pior desde 2002 e 10 pontos inferior a 2003. Em nenhum dos Estados a média de acertos passou de 40%. Em redação, o resultado, como é recorrente, foi melhor que na prova objetiva, mas também caiu em relação a 2005 e só é maior que em 2004, quando a média foi, pela primeira vez, inferior a 50 pontos.
O Ministério da Educação afirma que não é possível comparar um ano do Enem com o anterior, já que a prova é voluntária e a amostra termina por ser diferente. Mas, com três milhões de pessoas candidatos a uma vaga no ensino superior, é possível se dizer que esses estudantes sabem menos do que deveriam depois de terminar a escola básica.
Mais significativo, os alunos chamados de egressos - que terminaram o ensino médio há mais tempo - tiveram resultados melhores do que estudantes concluintes, que ainda têm frescas na cabeça as matérias ensinadas na escola. "Pode ser que esses egressos já tenham feito algum curso, entrado na faculdade", diz Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep).
"O que acontece é que se perdeu o foco na educação básica e na aprendizagem dos alunos", diz o deputado Paulo Renato Souza (PSDB), ex-ministro da Educação. "O conjunto de resultados mostra uma deterioração, um retrocesso no ensino que é preocupante".
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Onde estão os nós?
É um quadro lastimável que os resultados das avaliações nacionais nos apresentam.
E isso reflete, sim, lá na frente, na falta de preparo do trabalhador, mas antes disso, esse quadro reflete o descompromisso da sociedade não apenas com a Educação, mas com ela própria.
Se quisermos entender um pouco desse processo, não podemos descontextualizar a Educação de todo o resto.
Quando pergunto onde é que está o nó, seguido de por que é que os professores pararam de ensinar, é porque tenho localizado esse "fenômeno" nos anos 80 pra cá.
Justamente quando os processos de desenvolvimento se aceleraram e as desigualdades foram ficando mais marcadas e marcantes.
A universalização da escola pública - trazendo pra dentro dela, obrigatoriamente, todas as crianças de 7 a 14 anos - começou nos anos 70, se consolidou nos 80, e encontrou professores completamente despreparados para lidar com essa realidade. As turmas de crianças limpinhas, bem alimentadas e com família estável, foram dando lugar a turmas de crianças sem referência familiar, sem alimentação adequada e sem noções básicas de "integração na estrutura social". Notem que em nenhum momento estou falando de crianças menos inteligentes ou com pouca capacidade de aprendizagem.
Mas, como disse antes, esse quadro não pode ser visto de maneira desvinculada do contexto sócio-econômico que também se apresentava nesse momento. Acabávamos de descobrir que o milagre econômico não existia, emburacávamos numa das maiores crises já vividas, traduzidas em desemprego em massa; além das famílias, também da classe média, começarem a desmoronar em todos os aspectos. Casamentos desfeitos passam a ser a tônica. A crise ética na política também começa a ficar mais evidente. Há correntes de estudiosos que afirmam, inclusive, que foi um período de pouca criatividade artística e cultural. O acesso às drogas também começa a se "naturalizar". E a corrida tecnológica avança enlouquecidamente. Não há lideranças e muito menos preocupação em formar novos líderes.
Viramos um país à procura de identidade.
E a escola? Completamente à parte disso tudo, continua a agir com o mesmo modelo do fim do século XIX e início do XX. Não sabe como se inteirar/integrar nessa realidade e ignora o contexto. E, parece, continua ignorando...
Junte-se a isso tudo, o descaso com a infra-estrutura educacional, o surgimento de inúmeros modismos pedagógicos importados e as relações de poder completamente corrompidas dentro e fora das instituições escolares.
Nesse momento, o professor, sem formação adequada (muitos, leigos, por esse Brasil afora), sem atualização profissional, sem salário digno, sem apoio pedagógico, sem, sem, sem... vai se tornando um profissional que não sabe mais de si mesmo, perdendo também a sua identidade, sem saber pra onde ir.
E pára de ensinar! Não porque quer, mas porque não sabe mais como, nem pra quê! Ele próprio passa a acreditar que não vale a pena investir "em quem não quer nada..." ou "que esse menino não vai ser nada na vida mesmo..."
Nossos professores desistiram dos nossos alunos, porque não aprenderam a lidar com a diversidade. Ainda são "preparados" para dar aulas para alunos ideais, interessados e obedientes, criados a danoninho, sustagem e leite ninho...
A escola vira um depósito de crianças e jovens, um onde ninguém mais quer estar. É ruim pra todo mundo.
E a escola insiste nas práticas tradicionais, desconhecendo todo o processo de mudança que vem ocorrendo continuamente e, quando percebe que precisa mudar, não sabe pra que lado ir, porque não está acostumada a pensar, só a cumprir ordens e medidas autoritárias, e portanto tem medo de ousar. E, pior que tudo, não tem um projeto de sociedade para tentar alcançar. Não tem metas, não tem utopia.
Quanto às questões disciplinares, situações de violência vivenciadas nas escolas, aprovação/reprovação, podemos continuar afirmando que não podem ser vistas de maneira descontextualizada. A escola não é um oásis no meio do deserto (embora até seja para alguns alunos), ela é produto do que acontece do lado de fora. A diferença é que ela não pode/deve reproduzir as atitudes do exterior, mas deve ter a preocupação de formar cidadãos para modificá-lo. E isso não está feito, não tem receita pronta. É construir no próprio caminhar.
Estamos diante de uma grande oportunidade de virar esse jogo, através do Projeto OLPC, que tem tudo para criar ânimo novo nos educadores, dando fôlego a quem precisa e apontando para uma escola que ensine e para professores e alunos que se percebam construtores de conhecimento.
