quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

"O próprio professor precisa construir também o seu projeto político-pedagógico."

"O próprio professor precisa construir também o seu projeto político-pedagógico."

Antes de saber o que transmitir, antes de saber o que fazer, antes de saber o que pensar, antes de saber como agir em determinadas circunstâncias, o profissional da educação deve SE descobrir, ou seja, observar quais os caminhos lhe são oferecidos e fazer a SUA escolha.
Até que ponto nos conhecemos?
Vamos fazer uma experiência?
Pegue uma caneta e desenhe as linhas de sua mão num papel (sem olhar, é claro), em seguida compare o desenho com as linhas na sua palma da mão.
O resultado pode nos mostrar que não nos conhecemos “como a palma da mão” e isso nos leva a refletir sobre a possibilidade de adotarmos um projeto político-pedagógico e/ou ideal antes que coloquemos em prática determinadas atitudes que possam caminhar na contra mão ao que queremos, ao que desejamos e da responsabilidade que temos.
Na medida em que se olha no espelho e se diz “Sou Professor” estamos renegando o direito de se “ficar em cima do muro”. Passamos a adotar atitudes onde a busca incessante pela emancipação do aluno deve ser fazer parte da nossa vida enquanto EDUCADORES e assim o ponto fundamental na elaboração/execução de nossas práticas.

CONVERSA ENTRE AMIGOS

No final do ano recebi o convite/pedido/ordem/requisição de um amigo muito querido de traduzir dois livros de outro amigo muito querido, Dario Ergas, um chileno integrante do Movimento Humanista do qual também faço parte. Os livros: “O sentido do sem-sentido” e “O olhar do sentido” têm sido meus companheiros desde o dia 28 de Dezembro do ano passado e influenciado tudo em minha vida. Dario procura estabelecer um diálogo com quem lê e como todos os seus comentários acerca do que seja o humano são baseados em experiências/registros muito pessoais, é fácil se identificar com a leitura.
Esclareço isso porque, como Gadotti diria, e antes dele Freire, e Alves e tantos outros, contexto é tudo. Bem, amigos é nesse momento que o texto para estudo número I invade minha caixa de e-mail com suas 25 páginas. Devo confessar que, imersa como estava na linguagem filosófica e poética de Mr. Ergas, quase que não consegui lê-lo. Mas li, procurei entrar no clima e cada frase me deixava profundamente incomodada. Eu organizo o trabalho com meus alunos? Eu inovo? Sou mediadora do conhecimento? Nossa, eu não sou nada disso! Devo ser? Quero ser? Ohmygod!
Não me entendam mal, eu adoro mudanças e me considero alternativa. Mas as perguntas picaram minha mente que nem abelhas, incharam, só não criaram pus porque eu sou limpinha. Pensa só nisso aqui que ele diz:
"O professor é muito mais um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. O aluno precisa construir e reconstruir conhecimento a partir do que faz. Para isso o professor também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o quefazer dos seus alunos.Ele deixará de ser um “lecionador” para ser um organizador do conhecimento e daaprendizagem."
Aí que eu lia um pouco do Gadotti e traduzia um pouco do Dario. E um começou a conversar com o outro, bem ali, na tela do meu computador. O Gadotti dizia: “Aluno sujeito de sua formação... blábláblá.... construir e reconstruir....blábláblá” e o Dario dizia que a Bondade, a Sabedoria e a Força estão dentro de nós e não são NOSSAS como, digamos, um MP3 pode ser NOSSO, mas são energias que andam por aí, pelo universo, subterrâneas e que os seres humanos, como construtores de sua própria realidade, podem trazer para o plano material, para esse mundo em que vivemos.
Claro que eu tive que me meter na conversa! No domingo, acordei cinco e meia da manhã e fui para o terraço do sobradinho onde moro com minha filha. Fui ver o nascer do sol, fiz exercício, tudo com uma música imaginária de fundo (para os curiosos era a trilha sonora de O Feitiço de Áquila). Fiquei lá vendo o sol nascer e sentei um pouco para meditar sobre tudo que andava lendo. Respirei fundo, deixei que os pensamentos passassem sem procurar retê-los ou afasta-los, observei que minha mente estava inquieta, meu coração sobressaltado e meu corpo tenso. Relaxei lentamente. E perguntei bem pro fundo de mim mesma: “Qual é o Sentido disso tudo?”.
E não é que entre leituras, respirações e concentração me veio uma resposta. Uma resposta em forma de imagem. Tentarei traduzir em palavras: O ser humano é como um pintor que escolhe as tintas com que trabalha. Pode trabalhar com tintas de qualquer cor e cada tinta tem uma característica e produz um efeito nele. Pode trabalhar com a tinta da Paz e semeá-la, mas normalmente tem muito medo de desaparecer se o fizer, de ser menos de alguma maneira. Pode trabalhar com a tinta da Sabedoria, mas teria de abrir mão de “saber mais do que” para simplesmente saber. Pode também trabalhar com a tinta da Força que independe do resultado, a Força que se registra independente do que acontece pra lá ( pra fora de nós). Pode também ficar na base da argamassa, só consertando coisas menores e nunca chegando a colorir mesmo sua obra.
E nessa imagem nosso trabalho seria justamente navegar e ajudar a que outros naveguem essas energias internas tão poderosas e as expressem no mundo. Imagino rios subterrâneos de energias e a gente surfando nelas...Bem, pra mim funciona ! É subjetivo, lógico!
Daí o Dario ouviu, gostou e disse:
- Sabia que se a gente olhar com cuidado e buscar os momentos em que a gente estava fazendo alguma coisa em direção aos outros, sentindo-nos muito bem conosco mesmo, encontramos várias ações em nossas vidas que nos indicam nossa missão?
E o Gadotti respondeu:
- Claro! Encontrando nosso próprio sentido conseguimos apontar o sentido ao “quefazer” de nossos alunos!!!!
Já estavam agindo como amigos e infância, os dois!!!!
E Dario completou:
- O problema é que a gente espera que essas ações, esse momentos de sentido, que eu chamo de ações válidas, sejam momentos grandiosos, assim como em hollywood e na verdade são momentos super simples, mas que são muito profundos e alegres. Uma alegria tranqüila, não uma alegria com efeitos especiais, sabe?
Gadotti entendeu perfeitamente.
E eu também.
Eu entendi que quando as perguntas dele me feriam era porque eu esperava que em sala de aula esse “construir o sentido” fosse glamouroso, hollywoodiano, cheio de efeitos especiais e diálogos bem construídos. E não chega nem perto. Mas...é justamente essa necessidade de que seja tão “super-ultra” que nossos alunos sentem comparando a aula com a televisão. E é justamente isso que nos afasta do humano. E o humano, que é um materializador de sonhos, passa a ser um ser triste, cabisbaixo que pensa que as coisas vêm de fora, acontecem com ele, são tão injustas e que não há nada que ele possa fazer, quando, na verdade, é ele quem as projeta assim.
Enfim, eu entendi que ficava preocupada com as perguntas e não conseguia ver momentos de sentido em minha prática pedagógica anteriormente porque estava procurando do jeito errado. Procurando o tipo errado de coisa. Quando comecei a buscar simplicidade, encontrei: situações em que ajudei meus alunos, cumplicidade, tentativas de inovação, acertos, erros, medo, dias muito bons e muito ruins, mas, principalmente, encontrei pessoas que estavam tentando materializar as tais energias boas aqui na terra e, nem sempre conseguiam, mas estavam mesmo tentando.
Eu desejo que essas imagens emotivas guiem mais minha prática esse ano do que imagens cognitivo-intelectuais, que esses caras maneiros e cheios de idéias continuem conversando na minha cabeça e que eu encontre ( ainda não estou nem perto de saber como) uma forma de fazer tudo isso ensinando inglês.

Perguntas e mais perguntas

Perguntas, dúvidas, questionamentos... Existem respostas?

Este texto nos sensibiliza mais uma vez, outra vez e de novo para a necessidade de mudança no sistema educacional. Lembra-nos da importância do professor educador nesta sociedade destruída, com a moral e os valores deteriorados. Continuo me perguntando:
Como fazer??
Se chegamos a um consenso de aonde queremos ir, está na hora de aprender como fazer para alcançármos nossos objetivos.

O programa disciplinar está muito atrasado em relação às necessidades dos nossos alunos.

A mudança na metodologia leva tempo. Tempo de estudo, de preparação de material, de encontro entre os professores e, como estamos num país capitalista, tempo é dinheiro. A escola não pode bancar este tempo de maior envolvimento dos professores,daí, nossa profissão exigir um sacrifício, uma maior dedicação, um esforço a mais, o professor educador, deve fazer por amor a profissão, por crença e ideais, e quem sabe ser recompensado com uma turma, meia, ou apenas alguns alunos que tenham tido suas vidas mudadas, transformadas ou tocadas, e que esta seja sua recompensa, a melhor das recompensas que dinheiro nenhum no mundo pode pagar...

Chega de blá,blá,blá... Quero botar a mão na massa e fazer acontecer.

Tentar algo novo

"O professor hoje precisa ser um profissional capaz de criar conhecimento."
Na minha opinião, ler esse trecho do texto “Boniteza de um sonho”, de Moacir Gadotti, foi como levar um tapa na cara. Por mais que eu fale para as pessoas que: a Matemática é linda, que tudo na vida envolve matemática, que ela nos trouxe vários avanços e por isso é muito importante estudá-la. No fundo eu tenho plena convicção que não construí nenhum conhecimento com os meus alunos. A matemática pode ter significado pra mim, mas com a minha maneira tradicional de dar aula eu não consegui fazer com que os meus alunos vissem sentido na matemática. É claro que eu vou culpar a minha formação. Mas desde o momento que percebi que não conseguia construir com os conhecimentos matemáticos com os meus alunos, a culpa voltou a ser minha. Pois preferi continuar no método tradicional, pois é mais fácil.
Porém, agora é o momento de tentar fazer algo diferente. E estou disposto a aprender e ensinar de uma outra maneira.
Wellington Serra

PROFESSOR COMO NARRADOR NO MUNDO

"A maioria afirma que a profissão docente deve mudar - sobretudo em função da complexidade da nova sociedade - mas não se diz como, nem porque e para onde devemos mudar."



Esse trecho do texto de Moacir Gadotti nos faz pensar sobre uma questão mais ampla que é pensada pela sociedade como um todo. A educação formal está em crise. Ela é constituída por vários agentes: aluno, professor, coordenadores, orientadores educacionais,curso de formação de professores, poder público e outros. No senso comum há sempre uma tendência em culpabilizar um dos agentes.
Não vou aqui listar o discurso dos alunos, dos pais, do poder público sobre essa crise na educação, mas no discurso de muitos professores.
Para esses professores a crise na educação está associada á uma falta de uma política competente do Estado, a crise ética da sociedade em escala local, nacional e global, que produz um aluno sem limites, sem vontade de aprender, desmotivado.
Mesmo aquela minoria que acredita que a mudança também deva partir do professor, apenas fica estacionada numa analise denunciativa, não apontando caminhos possíveis que podem ser seguidos. Penso que os professores ainda esperam que apareça de “cima” um decreto ou uma nova teoria pensada por um “iluminado” que possa resolver todos os problemas de sua prática docente.
Talvez os primeiros passos para a mudança sejam tentar compreender que momento histórico é esse que estamos vivenciando, acreditar na sua autonomia intelectual, na sua capacidade de pesquisador e nas possibilidades de parceria na práxis do cotidiano escolar.O professor precisa deixar de ser “narrador do mundo para ser narrador no mundo”, sendo assim será mais fácil descobrir qual a sua importância e qual o sentido que a sua função de educador tem para contribuir para a transformação de um mundo mais justo.

RE Será que eu consigo?

7 - "O professor hoje precisa ser um profissional capaz de criar conhecimento."

Tiro esta máxima passando uma experiência técnica pessoal no meu antigo emprego, quando fomos implantar um sistema de gestão de obra novo pois o antigo não dava conta da nova demanda, os fabricantes falavam que se podia integrar as obras ao escritório administrativo apenas com a instalação da base de dados na matriz e que a cada dia que se conectasse a internet passa-se o IP (endereço eletrônico) do dia para todas as obras. Pensei com meus botões a construtora que tiver 30 obras demoraria o dia inteiro só pra passar o endereço de IP do dia. O que fiz, entrei num site chamado no-ip.com onde você pode baixar um programa que joga o seu ip do dia num endereço de internet e pronto, não precisava mais ter esta rotina, bastava configurar as máquinas para acessar este endereço que tudo funcionava redondo.

19 - "É o sujeito que aprende através da sua experiência. Não é um coletivo que aprende. Mas é no coletivo que se aprende."

Atravessar a rua, por mais que a sua mãe lhe ensine a atravessar a rua você só vai faze-lo quando estiver sozinho, e fará de sua maneira, a quem olhe os dois lados e vai, a quem olhe dá uma exitada e atravessa, a que não olhe e conta com a sorte. Mas no fim das contas todos conseguem atravessar com eficiencia.

20 - "Só aprendemos quando colocamos emoção no que aprendemos. Por isso é necessário ensinar com alegria."

"Saber não é o bastante; precisamos aplicar. Querer não é o bastante, precisamos fazer." - Bruce Lee

Será que eu consigo?

“A sociedade do conhecimento é uma sociedade de múltiplas oportunidades de aprendizagem. As conseqüências para a escola, para o professor e para a educação em geral são enormes: ensinar a pensar; saber comunicar-se; saber pesquisar; ter raciocínio lógico; fazersínteses e elaborações teóricas; saber organizar o seu próprio trabalho; ter disciplina para o trabalho; ser independente e autônomo; saber articular o conhecimento com a prática; ser aprendiz autônomo e a distância.”

Esse trecho, retirado do texto “Boniteza de um sonho”, de Moacir Gadotti, resume bem todas as minhas expectativas como professor de matemática. Não sei se já consegui alcançar esses objetivos, mas quando estou em casa, estudando ou preparando aula, para os meus alunos, tento levar para eles uma matemática que lhes permitirá: ensinar a pensar; saber comunicar-se; saber pesquisar; ter raciocínio lógico; fazer sínteses e elaborações teóricas; saber organizar o seu próprio trabalho; ter disciplina para o trabalho; ser independente e autônomo; saber articular o conhecimento com a prática; ser aprendiz autônomo e a distância.”
Aproveito esse trecho do texto para fazer uma reflexão: será que a “minha matemática” me permite todas essas coisas que estão escritas acima? Eu acho que sim.
Wellington Serra