sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
ARTE DE SER FELIZ
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.Perto da janela havia um jardim quase seco.
Era numa época de estiagem, da terra esfarelada,e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde,e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sôbre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espêssas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam o muro. Gatos que abrem e fechamos olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho no ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. Eu me sinto completamente feliz.
Mas quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecilia Meireles
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Será um vazio ou trata-se de ocupar um espaço que jamais foi ocupado?
1 - "Talvez esteja aí a chave para entender a crise que vivemos: perdemos o sentido
do que fazemos, lutamos por salário e melhores condições de trabalho sem esclarecer a
sociedade sobre a finalidade de nossa profissão, sem justificar porque estamos lutando."
É bem comum encontrar pessoas que reclamam da vida, do mundo, da família, parece que tudo está contra, que o mundo gira sempre no sentido contrário dela ou de seus amigos e familiares, enfim tudo nela está errado. O tempo passa e algumas coisas se resolvem e logo ela elege outras reclamações outros motivos que possam justificar o tal fracasso. Esse mal que é individual, também surge muitas vezes em níveis sociais, então as reclamações são grandes e conjuntas, mas também quando superadas logo aparecem outras ou quando não encontram superação são esquecidas e substituídas por novas.
Há quem acredite em um vazio de sentido no mundo, e que logicamente este vazio atinge também os professores. Será um vazio ou trata-se de ocupar um espaço que jamais foi ocupado?
Como vamos dar sentido ? Lembrando que o sentido é algo que deve levar em conta a situação contemporânea e isto exige estudo e dedicação. Se avaliamos que a crise é dos educadores/professores ou do ensino ou do sistema educacional, então tudo já vai começar errado.
A crise é social e pessoal, está em toda parte do planeta e atinge todas as profissões, talvez por sermos nós os “educadores” ficamos numa berlinda onde tudo é mais visível. É fundamental perceber o mundo em que vivemos, projetar que mundo queremos e deixar sem medo que o novo possa brotar daqueles que ensinamos e ensinaremos, sem espaço pra conservadorismo. Portanto, antes de pensarmos que educação queremos, temos que pensar que mundo queremos. E quais são as formas de luta, de revolução que são adequadas no momento atual.
O fato dos professores apontarem problemas nos dias de hoje, não significa que tudo estava bem no passado, apenas estamos vivendo um momento histórico em que as transformações cobram uma saída, seja pela aceleração da tecnologia ou pelo questionamento do “tal sucesso neoliberal”, o fato é que começamos a perceber em conjunto que nada funciona na tal sociedade atual, e sem um sentido, uma alternativa, parece que toda a sociedade vive no automático.
Aos educadores, cabe a tarefa de ajudar a interpretar o mundo atual, e mais do que isto, dar condições, dar alicerce através do ensino para toda a mudança que chega sem pedir licença, através da tecnologia e da indignação acumulada por anos de uma educação marcada pela repressão e conservadorismo.
POR QUE ENSINAR?
21 - "Há muitos professores e professoras que se sentem infelizes na escola e principalmente na sala de aula. Falta interesse, falta disciplina, faltam objetivos claros, enfim, falta sentido para o que ensinam. O aluno também não vê sentido no que está aprendendo na escola. E vem a pergunta desalentadora: “Para que estou estudando isso, professora?” -“Para que estudar?”.
Esses trechos, nos fazem perceber que devemos , buscar sentido, entender nossas motivações.
Se não somos curiosos, se não buscamos e encontramos novos e verdadeiros sentidos , nossos alunos também não vão fazê-lo.
Ninguém aprende porque é dito que tem que aprender.
Ninguém precisa de alguém desmotivado, que não acredita no que ensina, se assim for, será melhor estudar a distância, que é um recurso que hoje podemos contar.
Só sairemos desta condição de insatisfação, quando encararmos, enfrentarmos o medo do novo, nos lançar ao utópico, que é o nosso sonho, e ir com tudo, transformar em ação nossos pensamentos e sentimentos, mas devemos ter também bem claro uma certeza, a de que para conseguirmos devemos estar unidos, juntos
Adorei!!!
Pensar sobre educação, da forma que é apresentada aqui no texto "Boniteza de um Sonho", de Moacir Gadotti “
Bom de mais, revigorante estimulante é tudo de bom!
Por que estudar?
"Só é possível conhecer quando se deseja, quando se quer, quando nos envolvemos profundamente com o que aprendemos. No aprendizado, gostar é mais importante do que criar hábitos de estudo."
"O professor precisa saber que é difícil para o aluno perceber a relação entre o que ele está aprendendo e o legado da humanidade. O aluno que não perceber essa relação não verá sentido naquilo que está aprendendo e não aprenderá, resistirá à aprendizagem, será indiferente ao que o professor estiver ensinando. Ele só aprende quando quer aprender e só quer aprender quando vê na aprendizagem algum sentido. Ele não aprende porque é “burrinho”. Ao contrário, às vezes, a maior prova de inteligência encontra-se na recusa em aprender."
Os textos selecionados acima, foram os que considerei mas interessantes para colocar em discussão. Isso porque me interesso em entender o perfil psicológico de meus alunos. Percebi ao longo de minha curta carreira que ser professor é ser um pouco psicólogo, talvez isso explique meu fascínio pelas aulas de psicologia da educação na faculdade. Lendo o livro de Rubem Alves sobre a escola da Ponte; “A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir” percebi como o olhar do psicólogo é crucial.
O processo de aprendizagem do aluno, que procura a sua luz própria, é único. Sendo, por isso, uma experiência psíquica intensa. E cabe ao professor conceder um ambiente propicio, para esse momento de “insight” único e individual de cada aluno. A função do professor ao longo dos tempos e das “escolas” foi se transformando e se perdendo. No principio a instituição “escola” não existia, os filhos dos nobres e membros da realeza não tinham que arrumar merendas e vestir uniformes para ir aprender. Pelo contrário os professores “mentores” acompanhavam seus pupilos em casa, nas bibliotecas, pelos campos. E esses iam aprendendo no dia a dia a partir que a vida colocava os problemas em suas frentes, sem avaliações, sem reprovações. A aprendizagem era espontânea, divertida, desejada, e é só assim que ela ocorre.
A escola de hoje acabou com o processo natural e individual que é a aprendizagem. E o professor acompanhou essa desconstrução, pois teve que massificar o conhecimento. A escola se tornou um ambiente desagradável e chato, onde o aluno teve que se tornar obrigado a comparecer (menos de 75% de presença causa reprovação por falta). E a conseqüência disso é a violência o desrespeito e a “burrice”, alias esse ultimo termo é o que menos gosto. Ninguém é burro, o professor é que não conseguiu despertar o desejo de aprendizagem e avaliou erroneamente o aluno. Com respeito a isso coloco para a reflexão a estória a seguir, entre um aluno, um professor e sua avaliação:
Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota 'zero'. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma 'conspiração do sistema' contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: 'Mostrar como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro.' A resposta do estudante foi a seguinte:
'Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício.' Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredito. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de Física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.
Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder.Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.
No momento seguinte ele escreveu esta resposta:
'Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmulah = (1/2)gt2; calcule a altura do edifício.'
Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.
Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.
"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro."
Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.
"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo. bem como a do edifício. Depois, usando uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício."
"Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se a altura do edifício em unidades barométricas."
"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."
"Finalmente", concluiu, "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se:
'Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.'"
A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.
ENSINAR COM E PARA A ALEGRIA
Alunos e professores, quando presos ao espaço escolar, com toda a carga formal que lhe é imposta, perdem, gradativamente, esta alegria. E isto não é por acaso... A Escola vira o espaço da seriedade e a Classe de Alfabetização (hoje chamada de 1º ano de escolaridade) é o grande rito de passagem. Quem sobreviver a ele, minimamente, terá condições de seguir a diante, porque aprendeu a primeira lição: seriedade e alegria não combinam com escola, não combinam com o processo de transmissão de conhecimento.
Hoje, ouvindo os colegas de trabalho comentarem sobre suas infâncias e sobre como se alfabetizaram e percebendo a diferença etária existente entre eles é que constato o fato de que se muitos seguiram pela vida conservando a curiosidade da infância, a alegria da descoberta e o gosto pela leitura, isso não teve qualquer ligação com o processo de escolaridade que viveram, salvo algumas exceções. A grande maioria foi incentivada a realmente ler a vida em outros espaços, com outras pessoas que por não estarem presos ao rótulo de professor puderam ser educadores. Graças a Deus que estes subversivos existem na vida da maioria de nós... Graças a Deus, com estes, pudemos aprender que alegria combina mesmo é com saber, do qual a transmissão de conhecimento é apenas uma etapa. A escola bane a alegria de seu interior porque tantos sábios juntos incomodariam...
Mas aí, após esta constatação, vem o momento da tomada de decisão, momento político de real importância: Que escola queremos? Que professor desejamos ser? Podemos resgatar em nós e em nossos alunos a alegria do desvendamento de nós mesmos e do mundo? Queremos embarcar nessa aventura ou continuaremos fazendo da escola este espaço hermético, asséptico, enfadonho ? Queremos brindar com nossos alunos a vida que pulsa e trabalhar esta energia em todas as suas linguagens abrindo as portas para o que será ou rotineiramente, cumpriremos um ritual macabro de saudação eterna ao que já foi?
"O próprio professor precisa construir também o seu projeto político-pedagógico."
Antes de saber o que transmitir, antes de saber o que fazer, antes de saber o que pensar, antes de saber como agir em determinadas circunstâncias, o profissional da educação deve SE descobrir, ou seja, observar quais os caminhos lhe são oferecidos e fazer a SUA escolha.
Até que ponto nos conhecemos?
Vamos fazer uma experiência?
Pegue uma caneta e desenhe as linhas de sua mão num papel (sem olhar, é claro), em seguida compare o desenho com as linhas na sua palma da mão.
O resultado pode nos mostrar que não nos conhecemos “como a palma da mão” e isso nos leva a refletir sobre a possibilidade de adotarmos um projeto político-pedagógico e/ou ideal antes que coloquemos em prática determinadas atitudes que possam caminhar na contra mão ao que queremos, ao que desejamos e da responsabilidade que temos.
Na medida em que se olha no espelho e se diz “Sou Professor” estamos renegando o direito de se “ficar em cima do muro”. Passamos a adotar atitudes onde a busca incessante pela emancipação do aluno deve ser fazer parte da nossa vida enquanto EDUCADORES e assim o ponto fundamental na elaboração/execução de nossas práticas.
CONVERSA ENTRE AMIGOS
Esclareço isso porque, como Gadotti diria, e antes dele Freire, e Alves e tantos outros, contexto é tudo. Bem, amigos é nesse momento que o texto para estudo número I invade minha caixa de e-mail com suas 25 páginas. Devo confessar que, imersa como estava na linguagem filosófica e poética de Mr. Ergas, quase que não consegui lê-lo. Mas li, procurei entrar no clima e cada frase me deixava profundamente incomodada. Eu organizo o trabalho com meus alunos? Eu inovo? Sou mediadora do conhecimento? Nossa, eu não sou nada disso! Devo ser? Quero ser? Ohmygod!
Não me entendam mal, eu adoro mudanças e me considero alternativa. Mas as perguntas picaram minha mente que nem abelhas, incharam, só não criaram pus porque eu sou limpinha. Pensa só nisso aqui que ele diz:
"O professor é muito mais um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. O aluno precisa construir e reconstruir conhecimento a partir do que faz. Para isso o professor também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o quefazer dos seus alunos.Ele deixará de ser um “lecionador” para ser um organizador do conhecimento e daaprendizagem."
Aí que eu lia um pouco do Gadotti e traduzia um pouco do Dario. E um começou a conversar com o outro, bem ali, na tela do meu computador. O Gadotti dizia: “Aluno sujeito de sua formação... blábláblá.... construir e reconstruir....blábláblá” e o Dario dizia que a Bondade, a Sabedoria e a Força estão dentro de nós e não são NOSSAS como, digamos, um MP3 pode ser NOSSO, mas são energias que andam por aí, pelo universo, subterrâneas e que os seres humanos, como construtores de sua própria realidade, podem trazer para o plano material, para esse mundo em que vivemos.
Claro que eu tive que me meter na conversa! No domingo, acordei cinco e meia da manhã e fui para o terraço do sobradinho onde moro com minha filha. Fui ver o nascer do sol, fiz exercício, tudo com uma música imaginária de fundo (para os curiosos era a trilha sonora de O Feitiço de Áquila). Fiquei lá vendo o sol nascer e sentei um pouco para meditar sobre tudo que andava lendo. Respirei fundo, deixei que os pensamentos passassem sem procurar retê-los ou afasta-los, observei que minha mente estava inquieta, meu coração sobressaltado e meu corpo tenso. Relaxei lentamente. E perguntei bem pro fundo de mim mesma: “Qual é o Sentido disso tudo?”.
E não é que entre leituras, respirações e concentração me veio uma resposta. Uma resposta em forma de imagem. Tentarei traduzir em palavras: O ser humano é como um pintor que escolhe as tintas com que trabalha. Pode trabalhar com tintas de qualquer cor e cada tinta tem uma característica e produz um efeito nele. Pode trabalhar com a tinta da Paz e semeá-la, mas normalmente tem muito medo de desaparecer se o fizer, de ser menos de alguma maneira. Pode trabalhar com a tinta da Sabedoria, mas teria de abrir mão de “saber mais do que” para simplesmente saber. Pode também trabalhar com a tinta da Força que independe do resultado, a Força que se registra independente do que acontece pra lá ( pra fora de nós). Pode também ficar na base da argamassa, só consertando coisas menores e nunca chegando a colorir mesmo sua obra.
E nessa imagem nosso trabalho seria justamente navegar e ajudar a que outros naveguem essas energias internas tão poderosas e as expressem no mundo. Imagino rios subterrâneos de energias e a gente surfando nelas...Bem, pra mim funciona ! É subjetivo, lógico!
Daí o Dario ouviu, gostou e disse:
- Sabia que se a gente olhar com cuidado e buscar os momentos em que a gente estava fazendo alguma coisa em direção aos outros, sentindo-nos muito bem conosco mesmo, encontramos várias ações em nossas vidas que nos indicam nossa missão?
E o Gadotti respondeu:
- Claro! Encontrando nosso próprio sentido conseguimos apontar o sentido ao “quefazer” de nossos alunos!!!!
Já estavam agindo como amigos e infância, os dois!!!!
E Dario completou:
- O problema é que a gente espera que essas ações, esse momentos de sentido, que eu chamo de ações válidas, sejam momentos grandiosos, assim como em hollywood e na verdade são momentos super simples, mas que são muito profundos e alegres. Uma alegria tranqüila, não uma alegria com efeitos especiais, sabe?
Gadotti entendeu perfeitamente.
E eu também.
Eu entendi que quando as perguntas dele me feriam era porque eu esperava que em sala de aula esse “construir o sentido” fosse glamouroso, hollywoodiano, cheio de efeitos especiais e diálogos bem construídos. E não chega nem perto. Mas...é justamente essa necessidade de que seja tão “super-ultra” que nossos alunos sentem comparando a aula com a televisão. E é justamente isso que nos afasta do humano. E o humano, que é um materializador de sonhos, passa a ser um ser triste, cabisbaixo que pensa que as coisas vêm de fora, acontecem com ele, são tão injustas e que não há nada que ele possa fazer, quando, na verdade, é ele quem as projeta assim.
Enfim, eu entendi que ficava preocupada com as perguntas e não conseguia ver momentos de sentido em minha prática pedagógica anteriormente porque estava procurando do jeito errado. Procurando o tipo errado de coisa. Quando comecei a buscar simplicidade, encontrei: situações em que ajudei meus alunos, cumplicidade, tentativas de inovação, acertos, erros, medo, dias muito bons e muito ruins, mas, principalmente, encontrei pessoas que estavam tentando materializar as tais energias boas aqui na terra e, nem sempre conseguiam, mas estavam mesmo tentando.
Eu desejo que essas imagens emotivas guiem mais minha prática esse ano do que imagens cognitivo-intelectuais, que esses caras maneiros e cheios de idéias continuem conversando na minha cabeça e que eu encontre ( ainda não estou nem perto de saber como) uma forma de fazer tudo isso ensinando inglês.
